Situação do IPA motiva audiência pública na Alepe

Em 14/05/2018
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Deputados, servidores e trabalhadores rurais participaram nessa segunda de uma audiência pública sobre o Instituto Agronômico de Pernambuco, o IPA. Eles denunciaram os baixos salários e o sucateamento do órgão responsável pela pesquisa e extensão rural no estado. O Governo de Pernambuco não enviou nenhum representante. De acordo com Reginaldo Alves, assessor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco, a Fetape, a redução no número de atendimentos do IPA têm afetado a produção da agricultura familiar. Não podemos também colocar a perda da produção apenas na questão da seca. A questão da assistência técnica, do acompanhamento técnico, da orientação técnica, ela é importante também para isso, ela repercute isso. Então essa situação preocupa a Fetape.” 

O produtor rural Gilson Alves de Souza, de Garanhuns, no Agreste Meridional, afirma que a limitação na estrutura do IPA tem prejudicado os agricultores da região. “A gente sente uma grande falta de assistência técnica, distribuição de sementes, que desde 2016 não está acontecendo, e o IPA fica limitado a só o trabalho de escritório. Mas hoje o IPA tem toda uma tecnologia de plantio que pode ser repassada ao pequeno agricultor.”

Os pescadores artesanais também reivindicam investimentos no IPA. Segundo Joana Mousinho, integrante da Colônia de Itapissuma, na Região Metropolitana do Recife, o órgão é fundamental para a pesca artesanal na região. Depois que chegou o IPA em Itapissuma, abriu muito nossos olhos para algumas coisas que nós tínhamos direito e não sabíamos. Se tirar o IPA de Itapissuma, vai nos quebrar de pé e mão. E a gente vai lutar e não vai permitir. É por isso que eu estou aqui.”

Os servidores também reivindicam melhorias no IPA. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Agricultura de Pernambuco, Adailton Melo, faltam condições de trabalho para a categoria. A gente tem escritórios sendo despejados por falta de pagamento de aluguel, energia sendo cortada, água sendo cortada, cento e cinquenta reais de cota de combustível para fazer suas atividades. A maioria dos escritórios tem apenas um extensionista por escritórioSem falar na questão salarial. A gente está indo para o quarto ano sem reposição salarial.”

Segundo a deputada Teresa Leitão, do PT, as reivindicações dos trabalhadores rurais e servidores vão ser encaminhadas ao Poder Executivo. Ela reclamou da ausência de representantes do Governo na audiência. Nós vamos encaminhar toda essa pauta para o Governo do Estado assinada por nós, parlamentares. Nós vamos apresentar uma posição de protesto pelos adiamentos e tentativas de esvaziamento dessa audiência, como também pela ausência do Governo do Estado.” 

A deputada Socorro Pimentel, do PTB, também criticou a ausência do Poder Executivo na audiência. Ela afirmou que, caso não haja resposta do Governo, outros encontros vão ser realizados. “Essas dificuldades nós estamos enfrentando em várias pautas. O Governo não quer responder, não quer participar, não quer discutir com os diversos sindicatosCaso não haja nenhuma resposta, nós iremos fazer outra audiência pública para que a gente possa realmente ter um ressoe de que não houve resposta, que está havendo um descaso, que está havendo uma falta de respeito.”

Também participaram da audiência os deputados Augusto César, Júlio Cavalcanti e Álvaro Porto, do PTB; Eriberto Medeiros, do PP; Rodrigo Novaes, do PSD e Priscila Krause, do Democratas.